Veja como foram as 10 milhas da Garoto

Veja como foram as 10 milhas da Garoto Competição levou vários corredores ao Espirito Santo. Crédito: Midiasport

São poucas as corridas no Brasil que você tem o privilégio de sair numa cidade e ir em direção a outra. E quando ela é abraçada pelo seu povo que vai as ruas apoiar os participantes? Esses são alguns dos ingredientes que tornam as 10 Milhas da Garoto, uma das competições mais desejadas do país, a qual o Esportes de A à Z teve o privilégio de acompanhar de perto e a qual iremos contar nas próximas linhas.

Mas antes de falar de nossa participação, temos por tradição valorizar aqueles que se esforçaram mais e foram atrás da premiação. Na categoria masculina, deu Brasil depois de 8 anos de jejum. Wellington Bezerra da Silva, do Cruzeiro, tomou a liderança da prova e disparou, colocando uma boa vantagem para Gilmar Silvestre Lopes, parceiro de equipe.

Wellington Bezerra venceu a prova masculina. Crédito: Midiasport/Divulgação

“Prova difícil, na descida da ponte eu saí e o queniano tentou me acompanhar, mas não conseguiu. Aí segui forte porque estou bem preparado. Foi um ótimo teste para meu próximo desafio, a Maratona de Berlim, no dia 16 deste mês. Estou feliz por levar este título para Pernambuco e ter sido o primeiro brasileiro a ganhar depois do Marilson em 2010”, explicou o campeão. Depois de Berlim, Wellington quer fazer uma preparação específica para a Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, e para a São Silvestre, ambas em dezembro.

Já no feminino, a queniana Esther Kakuri correu forte e conseguiu o bicampeonato na prova. “Me senti bem, apesar do calor, e não tive dificuldade por que já conhecia o percurso. Estou muito feliz pelo título”, resumiu Esther, que também foi campeã da Meia Maratona do Rio, no início de junho.

Essa foi a nossa segunda participação no evento. A primeira fazia tempo, uns nove anos atrás, quando a corrida ainda estava em sua 20º edição e na última vitória de um brasileiro que tinha sido o grande Marilson Gomes dos Santos, que venceu por duas vezes a Maratona de Nova Iorque.

Na primeira vez, foi a minha primeira corrida fora do estado do Rio. As lembranças não foram das melhores. Tive problema no voo de ida e por pouco a minha participação não foi cancelada por não conseguir pegar o kit e estar gripado, mas acabou que deu tudo certo e fiz uma boa corrida.

Muito mais quente nessa edição e sem o mesmo desempenho físico do passado, a meta era curtir o que não consegui na outra vez e não houve decepção. Essa é uma das corridas que recomendo qualquer um ir participar, pois ela tem um astral único.

Tudo começa em Vitória na Praia de Camburi e de lá corremos 4 km até a entrada da 3º Ponte, principal ligação entre Vitória e Vila Velha e são outros 4 km nesse pedaço, onde você sobe pouco mais de 1km e desce na maior parte, mas tem que cuidado com o vento para não esgotar sua energia e faltar para a segunda parte em Vila Velha.

Pela segunda vez, o Esportes de A à Z esteve presente na prova. Crédito: Arquivo Pessoal

É na segunda cidade que a corrida se transforma. Os populares saem para as ruas e aplaudem os participantes no caminho que te leva para Praia da Costa e de lá até a fábrica onde há uma arquibancada para receber com carinho os participantes com a sua superação pessoal.

Tem algumas coisas que a organização pode adotar para tornar a corrida ainda melhor: A primeira de todas é na hidratação. A adoção de garrafas de 500ml não é boa para quem corre, ainda mais que pode rola uma dificuldade de abrir a tampa com as mãos e em todos os pontos, foi preciso abrir com a boca mesmo dando uma ajuda.

Outro ponto que pode ser revisto é quanto as placas de quilometragem. Muitos pontos só sabia onde estava por causa do relógio com GPS que uso. Não me lembro de ter visto na Ponte por exemplo. A Yescom já adota totens com a indicação que podemos ver olhando para cima em outras provas e não sei por que não foi adotada nessa.

Por fim, outra dificuldade que notei foi na dispersão dos corredores: Notei muitos corredores no ponto de ônibus próximo a fábrica da Garoto esperando os ônibus que voltam para Vitória desesperados querendo pegar um ônibus, taxi ou carros de aplicativo e tendo dificuldade. O poder público e a empresa responsável pelos ônibus poderiam aumentar a frota para a corrida e facilitar a saída, já que não há um transporte de massa (leia-se trens) nas cidades.

Mesmo assim, ainda vale a pena viajar para Vitória e participar dessa corrida que fará 30 anos no ano que vem. Abaixo, vejam um vídeo que fiz pelo percurso da prova.

Mídia

Crédito: Ricardo Dungó/EAZ