O que leva as pessoas a fraudar uma corrida? Veja as consequências!

O que leva as pessoas a fraudar uma corrida? Veja as consequências! Atletas foram flagrados usando o mesmo número e tiveram punição. Crédito: Divugação/Facebook

Olha lá! Joãozinho diminuiu seu tempo e muito na corrida. Será que ele correu mesmo ou só entrou para pegar medalha? Mariazinha está seca e perfumada, ela só quer aparecer! Algumas dessas histórias lhe parece familiar? O Esportes de A à Z tem notado um certo aumento nesses casos que viralizaram nas redes sociais. E o que leva essas pessoas a fraudarem o resultado?

Neste último fim de semana, o caso aconteceu em Divinópolis - MG na meia maratona local onde um atleta de Belo Horizonte até tentou solicitar a troca de titularidade da inscrição minutos antes da largada, algo que não foi possível atender. Ele tinha uma inscrição para sua esposa e ele acabou correndo 21 km o que gerou premiação a ela. Na hora do pódio o número surgiu com ela e tentou ganhar a inscrição. Resultado: Foi denunciado e confirmado que havia sido ele que correu, foi banido das corridas dessa organização e ainda denunciado à polícia por crime de falsidade ideológica.

Na semana anterior, uma menina em Porto Alegre que havia entrado na competição para buscar índice para Maratona de Boston e ao chegar 40 km, sentiu dores e no desespero, pegou uma bicicleta de aluguel e completou a prova carregando ela até o final. Segundo o Blog do Harry que a entrevistou (clique aqui e leia), foi uma ação de amor, onde ela havia prometido levar a medalha ao pai que está doente e se arrependeu de ter tido essa atitude, o que lhe rendeu expulsão da assessoria esportiva que treina.

Já na Maratona do Rio, tiveram relatos de corredores que também usaram do recurso da bicicleta para se adiantar na primeira parte da prova e o Esportes de A à Z que esteve presente na linha de chegada, notou algumas pessoas com “tempos extraordinários” aparentando que não fizeram o devido esforço que uma competição de 42 km exige depois de meses de treinamento.


Em ação desesperada, atleta terminou maratona de bicicleta e arrependida, pediu desclassificação. Crédito: Divulgação/Facebook

Apenas foi citado casos nacionais. Antes que você pense que este seja um fenômeno pela má fama que o brasileiro tem de querer passar a perna nos outros, os mesmos tipos de relato existem no mundo todo com os mesmos tipos de personagens e onde podemos incluir homens que correm com numeral de mulheres, dois chips para ajudar alguém que não pode correr, aqueles que se aproveitam da lei dos idosos inscrevendo parente para pagar menos, vendem sua inscrição para outros ou até pior, os que correm sem inscrição, algo que não abordaremos nesta matéria.

Falando um pouco de atletas de elite, impossível não falar de uma das maiores fraudes da história e vem do ciclismo. O americano Lance Armostrong ficou famoso por ter tido um câncer que quase tirou a sua vida e lutou muito para continuar vivo e na sua recuperação, foram cinco vitórias na famosa Tour de France. Mas o que ninguém sabia que para ele conseguir tais resultados, ele se dopava e depois de muitas denúncias, acabou confessando, perdendo seus títulos e banido do esporte, sem contar a perda de patrocinadores. Essa mancha o queimou em definitivo.

Casos não faltam e sempre haverá um novo a cada fim de semana e vindo tanto de atletas que competem por um lugar ao sol, como também pelo povo. Como podemos entender esse tipo de pessoa? Consultamos a psicóloga e corredora Vanessa Protásio que já venceu a Maratona do Rio e a Corrida da Ponte na década de 80 para tentar esclarecer um pouco e ela comenta:

“Pessoas apresentam comportamentos que estão alinhados com seus valores. Podemos dizer que a mentira mascara uma verdade, é no caso quando um corredor não atinge seu objetivo, a verdade perde força para a mentira. Suportar uma frustração é muito difícil e o corredor faz a opção de se esconder atrás da mentira para não enfrentar suas limitações físicas ou emocionais” – Comenta.

 

O comportamento nas redes sociais ou de nossos políticos pode ser alguma influência para aqueles que querem cometer algum tipo de fraude? Vanessa comenta:

 

“Acho que o comportamento do homem não vem de uma influência externa e seria péssimo aceitar que o homem se influencia por tão pouco e que direciona suas ações desta forma.

Inventar, mentir, fraudar fazem parte de uma educação errada, de falta de ética, de respeito ao próximo, de espirito esportivo, de competitividade. Quando alguém mente ou frauda, está prejudicando outro em seu lugar e este princípio deveria ser básico. Educação está ao alcance de todos, basta querer mudar”. – Finaliza

 

No outro lado da balança, estão as empresas organizadoras das corridas que é quem literalmente corre atrás por meses para oferecer uma estrutura mínima para que você corra e a maioria delas é preocupada com esse problema das fraudes, principalmente se ela tiver premiação do faixa etária.

 

O mecanismo de recurso que elas têm hoje em dia é a passagem por tapetes de chip ao longo do percurso e algumas tem filmagem também, sendo a maioria na linha de chegada. E a utilização desse recurso, incide diretamente no valor da inscrição fazendo com que seu custo aumente ainda mais por uma minoria que insiste em fraudar o resultado achando que não irá prejudicar ninguém, apenas por uma medalha.

 

Procuramos algumas das empresas e até o fechamento da matéria, a Yescom, responsável pela Meia Maratona Internacional do Rio, 10 milhas da Garoto, Volta da Pampulha, São Silvestre e outras nos respondeu. Desde a edição da São Silvestre de 2016, quando a quantidade de pipocas quase dobrou a quantidade de participantes da prova gerando falta de água a aqueles que pagaram, a empresa tem feito forte campanha contra vários comportamentos errados de participantes.

 

Dentre as medidas é isolar a linha de largada e chegada, só permitindo a entrada de inscritos e a hidratação com a quantidade somente para servir aos inscritos. Mesmo assim, na edição de 2017, ficou famoso o caso de uma assessoria de Sorocaba onde homens e mulheres corriam com o mesmo número.

 

Segundo a Yescom, desde o começo da campanha, houve uma diminuição na quantidade de fraudes, principalmente nas inscrições de idosos. E todos aqueles que tiverem a fraude comprovada, primeiramente são apenas desclassificados e em seguida banidos de qualquer evento organizado por eles.

 

Em caso de fraude, você pode fazer a sua parte. Não deixe de denunciar ao organizador da corrida que estiver participando se notar algo errado com outro participante. Eles costumam estar perto da linha de chegada e não faltam mecanismos para desclassificar quem estiver errado. Para aqueles que fraudam, as redes sociais podem ser cruéis com você. Mesmo que se o seu objetivo for só pegar a medalha, muitos fotógrafos estão pelo caminho para vender fotos e podem te clicar e sua imagem ficará queimada e poderá até ser banido de várias corridas.  Caso não possa participar da corrida e queira transferir a titularidade, você pode entrar em contato com o organizador e verificar se há essa possibilidade ou reembolso em caso de até sete dias de quando comprou a inscrição conforme o código de defesa do consumidor.