Conheça um pouco dos bastidores dos 1000 km

Conheça um pouco dos bastidores dos 1000 km O Ultraman Sergio Cordeiro segue firme na competição. Crédito: Márcio Villar

No 4º dia dos 1000 km que está acontecendo em Paulo de Frotin no interior do Rio de Janeiro, os atletas encararam mais um dia forte de sol de dia e no início da noite, a chuva marcou presença para castigar ainda mais os atletas que buscam essa marca até o próximo domingo.

E também nesse quarto dia, até a última parcial divulgada agora a pouco, nenhum atleta teve que abandonar a prova e todos alguns já atingiram a marca dos 400 km e outros estão perto de atingir. Todos eles têm até meia noite para chegar lá ou serão desclassificados.

No masculino, a liderança permanece com Luís Claudio dos Santos que já atingiu a marca dos 412 km, seguido por Sergio Cordeiro com 403 km. No feminino, Gildiane Souza Heusner está com 391 km e Débora Aparecida Simas com 381 km. Restam 11 atletas na competição, sendo oito homens e três mulheres.

O Esportes de A à Z conversou com o ultramaratonista Marcio Villar, organizador do evento, sobre como estão as condições da prova. Veja a entrevista que fizemos com ele:

EAZ:  O que acontece agora com atletas que chegam ao 4o dia de prova e mais de 300 km?

Marcio: Eles têm que continuar correndo e tentar chegar aos 400 km até o fim do dia para não serem desclassificados. Eles passam por um percurso que é envolta de um lago, num percurso de terra, cheio de pedrinhas. Durante o dia é um calor infernal e a noite é bem frio. Eles ainda têm que dormir em barracas esses dias e acordam, tomam café, almoçam e jantam durante o dia e isso fica parecendo um reality show. O mais legal de tudo é que eles respiram a prova o tempo todo e estão se ajudando o tempo todo.

EAZ: Conte-nos alguma história?

Marcio: Aconteceu já de um atleta estar com dificuldade de atingir a sua meta e teve a ajuda de outra que continuou na pista, depois de ter feito sua distância do dia, a ajudar ele a completar a meta do dia. Outro foi a atleta que está liderando a prova ajudar outro a completar a etapa dele também. Vocês não têm noção de como estamos virando uma família aqui. São 10 dias enclausurados aqui e é para quem ama o esporte isso aqui.

EAZ: Vocês estão tendo algum apoio da população daí de Paulo de Frontin? Tem vindo curiosos acompanhar o que está acontecendo? Tem histórias?

Marcio: O povo daqui está adorando a competição. No domingo, tinha barraquinha de sorvete, pizza, cachorro quente, chocolate e foi uma festa. Parecia um acontecimento na cidade e estamos tendo apoio da prefeitura da cidade. O prefeito da cidade vem todo dia de manhã dar uma volta de 10 km em volta do lago e de noite ele vem ver como estão os atletas e antes da corrida começar, ele cumprimentou um por um. Ele é uma pessoa diferenciada e está dando muito valor ao ultramaratonista.

EAZ: Por que você está premiando os atletas que estão tendo que abandonar a corrida?

Marcio: Está no regulamento que todos os atletas vão receber uma camiseta, um certificado, um troféu e uma medalha. A única coisa que quem não completar não vai receber a camiseta preta e dourada escrito “Completei os 1000km”. No certificado vem a quilometragem que a pessoa fez, o tempo e a colocação dela. Estou valorizando o atleta que está vindo aqui passar esse perrengue de calor, frio e etc. Estou realizando um sonho de realizar essa prova e eles de terem acredito na minha ideia e estão aqui. Aproveito e convido as pessoas a virem aqui conhecer a realidade da prova e ver que tudo está sendo feito com muito amor.