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Brasil se despede do Mundial de Natação Paralímpica com 18 medalhas de ouro

Chegou ao fim nas primeiras horas desta sexta-feira, 8, a oitava edição do Campeonato Mundial de Natação Paralímpica, realizado na Cidade do México. O Brasil participou com 17 atletas de 16 Estados e volta para casa com o retrospecto de 18 ouros, de um total de 36 medalhas conquistadas em seis dias de competição.
 
A China terminou em primeiro lugar no quadro de medalhas, com 30 ouros, seguidos dos Estados Unidos (21 ouros), Itália em terceiro (20).
 
A última conquista brasileira no México foi um eletrizante ouro nos 100m livre da classe S12 do carioca Thomaz Matera, que foi marcado por uma série de resultados históricos para a natação paralímpica nacional.
 
"A nossa participação foi extremamente positiva. Conquistamos um número muito expressivo de medalhas, superando nossa performance de Glasgow 2015, e estamos felizes com a renovação, por termos seis novos campeões mundiais. Daniel Dias e Andre Brasil são sempre os principais destaques e estão sempre liderando o nosso grupo, mas é muito importante ressaltar jovens como Talisson Glock, Ítalo Pereira e Cecília Pereira, a mais nova da delegação, com apenas 19 anos, e que venceu uma medalha de ouro", disse Jonas Freire, diretor-técnico adjunto do Comitê Paralímpico Brasileiro. 
 
O desempenho é histórico para o Brasil, a começar pelo total de medalhas de ouro conquistadas. Os 18 ouros do México superam o desempenho do Brasil no Mundial de Eindhoven, na Holanda, em 2010, quando fomos ao pódio ouvir o Hino Nacional em 14 oportunidades. Jamais conseguimos romper esta barreira, até a noite da quarta-feira, 6, na capital azteca, quando Andre Brasil conquistou o 15º ouro nos 100m borboleta da classe S10. Depois disso, ainda vieram outros três pódios dourados.
 
Este resultado leva a outro momento nunca antes alcançado em competições deste porte pelos nadadores brasileiros. É a primeira vez na história que a delegação verde e amarela supera a marca das 26 medalhas em um Mundial. Coincidentemente, o país chegara a esta quantidade de premiações em duas competições consecutivas: Durban 2006, Eindhoven 2010. Na última edição do Mundial, em Glasgow 2015, o Brasil se despediu com 23 pódios.
 
Parte desta conquista no México se deve à participação feminina na Piscina Olímpica Francisco Márquez, na Cidade do México. O local, uma das arenas dos Jogos Olímpicos da capital mexicana em 1968, serviu de palco para que todas as seis representantes do sexo feminino do Brasil chegassem ao pódio neste Mundial.  A cearense Edênia Garcia (S3), a paulista Raquel Viel (S12), a mineira Patrícia Santos (S3), a potiguar Joana Neves (S5) e a paranaense Beatriz Carneiro (S14) levarão para casa uma medalha cada. A potiguar Cecília Araújo (S8) teve a oportunidade de faturar duas medalhas.
 
O Brasil ganhou também seis novos campeões mundiais de natação paralímpica em provas individuais. O tocantinense Ítalo Pereira (S7), o pernambucano Phelipe Rodrigues (S10), o carioca Thomaz Matera (S12), o paulista Ruan Souza (S9), o catarinense Talisson Glock (S6), além de Cecília Araújo, experimentaram ouvir o hino pela primeira vez à pérgola de uma piscina de Campeonato Mundial. Quatro deles têm 25 anos ou menos, numa prova de que o processo de maturação corre em ritmo forte na modalidade. 
 
Não é possível encerrar o Mundial do México sem lembrar, também, da meta pessoal de medalhas de Daniel Dias. No último treino antes da estreia, ainda em 1º de dezembro, ele avisara que deixara aos filhos Asaph, 3 anos, e Danielzinho, 2, a promessa de levar para casa duas medalhas para cada. O nadador de 29 anos, nascido em Campinas, São Paulo, não só cumpriu a meta, como quase a dobrou. Despediu-se do México com sete pódios, sendo seis ouros (quatro individuais e dois revezamentos) e uma prata, na última prova do Mundial, na madrugada (no Brasil) de sexta-feira, 8, no 4 x 50m livre 20 pontos.
 

Edênia Garcia é prata e completa 15 anos de medalhas consecutivas em Mundiais

A cearense radicada no Rio Grande do Norte Edênia Garcia, 30, conquistou, na noite deste domingo, 3, a medalha de prata nos 50m nado costas da classe S3, no segundo dia de competições do Mundial de Natação Paralímpica, na Cidade do México. O evento teve início no sábado, 2, e vai até a quinta-feira, 7, na Piscina Olímpica Francisco Márquez, sede dos Jogos Olímpicos de 1968.
 
O Brasil ganhou outras cinco medalhas nesta noite de domingo na capital azteca. Na classe S10, André Brasil foi ouro e Phelipe Rodrigues prata nos 100m livre. A equipe verde e amarela já soma 13 medalhas (cinco ouros, cinco pratas e três bronzes) e ocupa o quarto lugar no quadro geral.
 
A prata de Edênia foi especial por diversos motivos. Primeiramente, porque ela é a mais longeva das medalhistas do país em Mundiais paralímpicos. Há 15 anos ela é habitué de pódios neste tipo de competição. Foi tricampeã desta prova em Mar Del Plata 2002, Durban 2006, Eindhoven 2010 e prata em Glasgow 2015. Todas as conquistas na classe S4. Na temporada atual, foi reclassificada para a classe S3, para atletas com menor mobilidade, e chegou à prata desta noite na história piscina da capital mexicana.
 
“Se eu ainda estivesse na classe S4, certamente não estaria neste Mundial. Mas a maturidade foi um ponto positivo, que me fez chegar aqui alegre, feliz, me divertindo, mas sempre com muita responsabilidade”, explicou Edênia.
 
A medalha veio de forma dramática. A chinesa Qiuping Peng, atual campeã paralímpica da prova, largou na frente e abriu vantagem. A grega Alexandra Stamatopoulou ocupou o segundo posto por, pelo menos, 40 metros, quando Edênia aumentou o ritmo e a superou na batida de mão. A brasileira completou a distância em 56s17, apenas nove centésimos adiante da grega. Peng foi campeã com sobras (52s51).
 
“Eu saí do Brasil acreditando que lutaria pela medalha de prata. Geralmente, após a chegada, eu olho para o meu tempo no telão, mas desta vez eu vi logo que tinha chegado em segundo e quase não acreditei. A estratégia de prova deu certo”, vibrou a cearense, que soltou um grito de emoção ao confirmar a segunda colocação.
 
A disputa dos 100m livre da classe S10 marcou mais um capítulo da hegemonia da dupla Andre Brasil e Phelipe Rodrigues. Na noite de sábado, na abertura de Mundial, o pernambucano Phelipe conquistou seu primeiro ouro em mundiais nos 50m e o carioca Andre foi prata. Vinte e quatro horas mais tarde, nos 100m livre, o representante de Recife largou na frente, mas o atleta do Rio o superou na segunda metade da prova, e o resultado se inverteu.
 
“Cada braçada, cada prova tem sido um momento singular. Eu sempre acreditei que este seria o Mundial para fazer algo diferente. Faça feio ou faça bonito, hoje eu toquei na frente, assim como ocorreu ontem, com o Phelipe batendo em primeiro, mas o importante é que a dobradinha brasileira continua”, comentou Andre.
 
Andre faturou o ouro com 52s60, Phelipe, prata, com 53s24. David Levecq, da Espanha, completou o pódio (56s19).
 
A noite de domingo (início de madrugada no Brasil do dia 4) ainda reservou uma medalha de prata da potiguar Cecília Araújo. Ela disputou os 100m da classe S8 em pé de igualdade com a americana Jessica Long, uma das grandes estrelas do movimento paralímpico mundial, até os 75 metros de prova. No fim, contou a experiência de Jessica, dona de 13 ouros em Jogos Paralímpicos, que sagrou-se campeã com 1min06s83. Cecília, 19, chegou com 1min08s96, seguida por Julia Gaffney, dos EUA (1min13s90).
 
Na última participação brasileira neste segundo dia, o carioca Thomaz Matera foi bronze nos 400m da classe S13 (baixa visão), ao completar a distância em 4min43s66, em prova vencida pelo supercampeão bielorrusso Ihar Boki, por nada menos que 39 segundos de diferença. A prata foi do espanhol Ivan Salguero.
 
Os atletas brasileiros voltam à Piscina Olímpica Francisco Márquez, na Cidade do México, às 13h (horário de Brasília) desta segunda-feira, 4.
 
Confira, abaixo, a participação dos brasileiros no segundo dia de provas do Mundial de Natação Paralímpica.
 
Andre Brasil (S10)
50m livre : Ouro
Phelipe Rodrigues (S10)
50m livre: Prata
Edênia Garcia (S3)
50m costas: Prata
Joana Neves:
50m borboleta: 7º
Gabriel Souza (S8)
100m livre: 7º
Cecilia Araújo (S8)
100m livre: Prata
Thomaz Matera (S13)
400m livre: Bronze

No 1º dia de Mundial, Brasil garante oito medalhas: Daniel, André e Phelipe ganham cinco

O Brasil teve um início arrasador no Mundial de Natação Paralímpica, que começou na tarde de sábado, 2, na Cidade do México. A Piscina Olímpica Francisco Márquez, que recebeu os Jogos Olímpicos da 1968, serviu de palco para a conquista de oito medalhas brasileiras.

Comandados por Daniel Dias e André Brasil, dois dos maiores nomes da natação paralímpica mundial, a seleção nacional subiu ao pódio oito vezes, sendo em quatro delas com a presença da dupla. O Brasil ocupa a primeira posição no quadro de medalhas, com quatro ouros, duas pratas e dois bronzes. Seguido dos Estados Unidos, com três ouros, quatro pratas e dois bronzes.

O primeiro ouro brasileiro do dia veio na sessão da manhã no México (tarde no Brasil), com André Brasil nos 100m nado costas da classe S10. Com o tempo de 1min01s57, ele superou o estoniano Kardo Ploomipuu (1min03s55). O bronze foi para o norte-americano Tye Dutcher (1min3s81).

À noite, foi a vez de Daniel Dias fazer sua estreia na Pisicna Olímpica Francisco Márquez. Ele conquistou seu tetracampeonato mundial nos 100m nado livre (S5), com 1min10s58, à frente do francês Theo Curin (1min18s28) e do vietnamita Thanh Thung Vo (1min19s56). A prova foi marcada pelas ausências de dois grandes rivais de Daniel: o americano Roy Perkins e o espanhol Sebastian Rodriguez, que rivalizam com o brasileiro desde os Jogos Paralímpicos Pequim 2008 - eles não vieram ao Mundial do México.

O pernambucano Phelipe Rodrigues brilhou nos 50m livre (S10), numa das provas mais rápidas e acirradas deste Mundial. Ele e André Brasil travaram um duelo incrível, mas Phelipe foi o melhor. Com 23s96 garantiu seu primeiro ouro em Mundiais. André mordeu a prata, apenas 18 centésimos atrás (24s14). David Levecq, da Espanha, completou o pódio (25s65).

"Sempre almejei um ouro no Mundial. Quando eu vi que ganhei a prova, eu fiquei meio que sem reação, mas a sensação é incrível, saber de tudo que eu abdiquei pra chegar aqui valeu a pena, e com certeza dá pra render muito mais", disse Phelipe, 27.

Mal deu tempo de descansar  porque vinte minutos depois veio o revezamento 4 x 100m livre 34 pontos (a soma da classe funcional dos membros do time). Foi quando André Brasil, Daniel Dias e Phelipe Rodrigues uniram forças, juntamente com o goiano Ruiter Silva, e formaram a equipe nacional que abocanhou a medalha de ouro com o tempo de 4min10s30.

"Entramos sabendo quais seriam nossos adversários, eu, Daniel, Phelipe entramos já desgastados pelas provas que nadamos hoje, e foi a primeira que nós conquistamos. Nós viemos fazer nosso trabalho, e estamos fazendo, vale quem toca na placa primeiro, como costuma dizer meu grande amigo Thiago Pereira", disse André Brasil, citando o medalhista olímpico nos 400m medley nos Jogos de Londres 2012.

"Eu brinco que comecei com pé direito, apesar de não tê-lo. Mas estou muito feliz com nossos resultados, começar assim é bom para dar andamento à competição", comemorou Daniel Dias.

Segunda colocação ficou com a Itália (4min15s27). E o terceiro com a Argentina 4min19s46.

No feminino, brilhou a jovem Beatriz Carneiro, 19. A paranaense de Maringá é da classe S14 (deficientes intelectuais), estreou em Mundiais nos 100m nado peito agora no México e faturou a medalha de prata. Com 1min21s99, superada apenas pela espanhola Michelle Morales (1min15s05), medalhista de bronze nesta prova no Mundial de Glasgow 2015, nova recordista mundial. O bronze foi para Pernilla Lindberg (1min24s71), da Suécia.

A noite ainda reservou os bronzes nos 100m costas da classe S12 (baixa visão) tanto no masculino, com o carioca Thomaz Matera, como no feminino, com a paulista Raquel Viel.

Os atletas nacionais voltam à Piscina Olímpica Francisco Márquez, na Cidade do México, a partir das 22h49 (de Brasília), com transmissão pelo Facebook do CPB (www.facebook.com/ComiteParalimpico)

Abaixo, a participação de todos os brasileiros neste primeiro dia de competição do Mundial de Natação Paralímpica.

Talisson Glock
(400m livre S6): 7º
Ítalo Pereira
(100m livre S7): 5º
Beatriz Carneiro
(100m peito SB14): Prata
Joana Neves
(100m livre S5): 5º
Daniel Dias
(100m livre S5): Ouro
André Brasil
(100m costas S10): Ouro
(50m livre S10): Prata
Thomaz Matera
(100m costas S12): Bronze
Raquel Viel
(100m costas S12): Bronze
Phelipe Rodrigues
(50m livre S10): Ouro
Revezamento 4x100m livre masculino 34 pontos
André Brasil, Daniel Dias, Ruiter Silva e Phelipe Rodrigues: Ouro

 

André Brasil dá o primeiro ouro ao Brasil no Mundial de Natação Paralímpica

O carioca André Brasil, 33, conquistou a medalha de ouro nos 100m costas da classe S10 (menor nível de deficiência física) na abertura do Campeonato Mundial de Natação Paralímpica, neste sábado, na Cidade do México. A competição, que começou nesta tarde (no Brasil), conta com a participação de 17 brasileiros e se estenderá até 7 de dezembro. Paralelamente, neste mesmo período, será realizado o Mundial de Halterofilismo, também na capital mexicana.
 
André confirmou o favoritismo nos 100m nado costas e deu continuidade a uma rotina de sete anos em pódios Mundiais nesta prova. Em Eindhoven 2010 e Glasgow 2015 ele faturara o ouro, já em Montreal 2013, fora prata. 
 
O ouro de André na Cidade do México veio com a marca de 1min01s57, quase dois segundos de vantagem sobre o segundo colocado, o estoniano Kardo Ploomipuu (1min03s55). O bronze foi para o norte-americano Tye Dutcher (1min03s81).
 
“Importante começar ganhando, mesmo sabendo que não seria a prova mais acirrada do dia. Tentei forçar, mas fiquei aquém do tempo de 1min00s que eu queria fazer, mas foi dentro da expectativa, foi bom para quebrar a tensão”, comentou André Brasil.
 
Andre teve poliomielite aos três meses de idade – por reação à vacina – , o que lhe trouxe uma pequena sequela na perna esquerda. Conheceu a natação como forma de reabilitação e o contato com a água tornou-se tão prazeroso que iniciou sua carreira como nadador profissional em 1992. Anos depois, já em 2005, o carioca ingressou no paradesporto, hoje é um dos grandes nomes da natação paralímpica nacional.
 
Na Cidade do México, André nadará nada menos que oito provas, sendo seis individuais e dois revezamentos.

Daniel Dias é o campeão da primeira edição da World Series de Natação do IPC

Brasileiro acumulou 2.034 pontos em sua melhor participação, em Indianápolis. Crédito: Bruno Lopes/EAZ
 
O nadador brasileiro Daniel Dias conquistou o título individual na World Series de Natação 2017. O multimedalhista alcançou o topo com 2.034 pontos, conquistados em sua melhor participação, em Indianápolis, nos Estados Unidos, em junho. A série de competições é organizada pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês) e, neste ano, ganhou valor especial por anteceder ao Mundial da modalidade, em setembro, no México.
 
A vitória do maior medalhista paralímpico do Brasil foi apertada: Daniel ficou apenas dois pontos à frente do chileno Alberto Abarza, que fez 2.032 pontos na etapa de São Paulo, no Open Loterias Caixa de Natação, em abril, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro. Marc Evers, da Holanda, completou o pódio da World Series, com 1.998 pontos.
 
A World Series 2017 foi composta por cinco etapas ao redor do mundo: Copenhague (Dinamarca), em março; São Paulo (Brasil), em abril; Sheffield (Grã-Bretanha), também em abril; Indianápolis (Estados Unidos), em junho; e Berlim (Alemanha), em julho. A pontuação leva em conta a melhor performance do atleta nas séries – Daniel nadou apenas em São Paulo e em Indianápolis. O evento está em sua primeira edição e, neste ano, serviu como preparatório para o Campeonato Mundial da Cidade do México.
 
No feminino, a italiana Monica Boggioni levou o título individual, com 2.113 pontos, seguida pela britânica Bethany Firth (2.098 pontos) e Zulfiya Gabidullina, do Cazaquistão, com 2.094 pontos. O campeão por equipes foi o time britânico, que alcançou 8.122 pontos. Completaram o pódio a Holanda (7.906 pontos) e Itália (7.814 pontos).

Após sucesso de irmão no Rio 2016, nadador brilha na etapa regional do Circuito

O nadador carioca Douglas Matera, 23, pode ser considerado a personificação do legado dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Ele disputou neste final de semana as provas de natação do Circuito Loterias Caixa, regional Rio-Sul, no Rio de Janeiro. Cerca de 390 atletas da região Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo competiram nestes sábado e domingo no CEFAN, na Zona Norte da capital fluminense, em busca de uma vaga para as Nacionais, a partir de junho, em São Paulo.

Douglas é irmão mais novo do também nadador Thomaz Matera, 27, especialista no nado medley, um dos integrantes da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Ambos têm retinose pigmentar, porém Douglas também tem nistagmo, que compromete a acuidade da visão, por isso é da classe S13 - Thomaz é da S12, para atletas com visão mais comprometida.

Douglas, que representa o IBC-RJ, nadou quatro provas e obteve o índice com facilidade em todas: 100m borboleta, 50m livre, 100m costas e 100m livre. E foi campeão em todas em sua classe.

“Confesso que não esperava conquistar tantos índices, principalmente porque meu intuito era só treinar natação durante as férias no mestrado, incentivado pelo meu irmão após os Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Mas as férias terminaram e eu continuei. Agora vamos ver como serõa as Nacionais”, explicou Douglas, que compareceu ao Parque Olímpico da Barra todos os dias em que o irmão competiu durante o Rio 2016.

Nos Jogos Paralímpicos do ano passado, Thomaz Matera disputou seis provas e chegou à final nos 100m borboleta, prova na qual disputará na etapa nacional, assim como o irmão, porém em classes diferentes.

No atletismo, a etapa Regional Rio-Sul marcou outra estreia surpreendente. Wanderson Oliveira, da Andef-RJ, um dos mais habilidosos jogadores da Seleção Brasileira de futebol de 7 (atletas com paralisia cerebral), iniciou sua carreira no atletismo neste final de semana. Em duas das três provas rasas que disputou na classe T38, Wanderson foi campeão. Nos 100m, com 12.10 e nos 400m chegou a 59.61. E ainda conseguiu o índice para as etapas nacionais. Nos 200m, neste domingo, ele fez 25.11, e só foi superado por Aser Ramos (RS Paradesporto), com 24.97.

O futebol de 7 não fará parte do programa dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, por isso, Wanderson migrou para o atletismo. Os exemplos de atletas que já trilharam este mesmo caminho são bem positivos. Mateus Evangelista e Fábio Bordignon são dois ex-jogadores que passaram para o atletismo e conquistaram medalhas nos Jogos Rio 2016.

Mateus chegou a disputar o Parapan de Jovens, em 2009, com a Seleção de futebol, anos mais tardes, no entanto, passou a se dedicar apenas ao atletismo e, no Rio, levou a prata nos salto em distância T37. Fábio, por sua vez, atuou nos campos até 2014. Com muita dedicação ao atletismo, em pouco mais de um ano conquistou a prata nos 100m e nos 200m T35 no Rio.

“Não fazia ideia de como seria minha participação numa prova de atletismo, mas posso dizer que peguei gosto e vou treinar mais para baixar o tempo, porque no atletismo nossa briga é com o relógio”, disse Wanderson, após a prova dos 200m.

Prova com seis medalhistas dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 abre Superfinais do Open Internacional

Grandes estrelas da natação brasileira dividiram, neste sábado, 22, a piscina do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, na Superfinal dos 100m livre masculino no Open Internacional Loterias Caixa. A prova multiclasse contou com seis medalhistas dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, entre eles Daniel Dias, Phelipe Rodrigues e Andre Brasil. O trio, aliás, formou o pódio da disputa, decidida pelo índice técnico da competição (ITC), com Daniel em primeiro, Phelipe em segundo e Andre em terceiro.
 
Além dos três, ainda estavam na final os medalhistas no Rio 2016 Carlos Farrenberg (classe S13), Ruiter Silva (S9) e Matheus Rheine (S11), acompanhados de Vanilton Nascimento (S9) e Gabriel Souza (S8), que competiram no Rio mas não levaram medalha. Somadas as conquistas nesta prova, eram 20 medalhas só dos Jogos Rio 2016.
 
Campeão da prova, o multimedalhista Daniel Dias, classe S5, aprovou a disputa. O nadador acredita que o formato mostra de forma clara o que é o esporte paralímpico, com atletas de classes diferentes e com deficiências diferentes umas das outras.
 
"Acho legal esse sistema. Quem está assistindo acaba vendo vários nadadores com deficiências e classes diferentes. E essa, em particular, com seis medalhistas dos Jogos do Rio, foi muito boa. É legal nadar em uma prova com atletas vitoriosos. A gente sabe que não é quem bate primeiro que necessariamente será o campeão, então todos os nadadores competem contra eles mesmos. Em um esporte individual como a natação, a disputa assim fica mais individual ainda. Gostei dessa final e achei importante adotarmos esse sistema", disse Daniel.
 
Quem também teve motivo para comemorar na manhã deste sábado foi Felipe Cantran, classe S14. O nadador foi campeão dos 100m borboleta da Superfinal com uma marca de 1min00s80, marca que garantiu o atleta no Mundial de natação, na Cidade do México, em outubro.
 
No atletismo, foi o dia de Ricardo Costa Oliveira. Após Thiago Paulino e Renata Bazone, foi a vez de o saltador da classe T11 (cego total) garantir a vaga no Mundial Paralímpico da modalidade. Ele venceu a prova ao registrar um salto de 6,51m - apenas um centímetro a menos do que precisou para vencer o ouro nos Jogos Paralímpicos do ano passado, no Rio de Janeiro. A marca também é quatro centímetros mais distante do que o índice estipulado pelo CPB para assegurá-lo no evento em Londres.
 
"Estou muito satisfeito e fico honrado por garantir a chance de defender o meu país mais uma vez. No último salto, como havia sido no Rio 2016, garanti a minha vaga. Com certeza posso melhorar ainda mais essa marca para o Mundial. Tenho de ter foco e treinar, porque agora será um período importante. Terei marcas melhores já nas próximas competições", disse o saltador de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. 
 
Outra a assegurar seu lugar foi Izabela Campos. No lançamento de dardo F11, ela conseguiu uma marca de 26,24m - novo recorde das Américas. A performance é seis metros além do que era necessário para qualificar-se para o Mundial (20,16m). Por fim, Mateus Evangelista alcançou 6,32m no salto em distância e superou o índice B necessário para ir ao Mundial (6,28m). 
 
O programa da competição segue na tarde deste sábado. As informações podem ser encontradas no site do CPB (www.cpb.org.br). A entrada é franca e aberta ao público. 

Daniel Dias ganha mais duas medalhas e Brasil encerra participação nas paralimpiadas

Daniel Dias tem 24 medalhas na história das paralimpíadas. Crédito: Bruno Lopes/Esportes de A à Z

 

No último dia de natação no parque aquático com um ótimo público, o Brasil saiu com 3 medalhas sendo uma de ouro com Daniel Dias nos 100m livre classe S5, na mesma distância, um bronze com Maria Joana Silva e uma prata numa recuperação espetacular nos 4x100m 34pts.

“Foi espetacular demais nadar por aqui com esse público gritando por mim. Dava para ouvir dentro da agua nesses 10 dias a vibração dele. Só tenho a agradecer a cada um por esse momento especial e quero poder curtir muito esse momento. ” – Conta Daniel sobre a medalha.

A 23º medalha de Daniel Dias veio nos 100m livre. Ele dominou a prova de ponta a ponta sem dar chance ao americano Roy Perkins que foi segundo e o alemão Andrew Mullen em terceiro com mais de 3s de vantagem sobre eles. Clodoaldo Silva também esteve nesta prova e chegou em último.

Daniel voltou a piscina uma hora depois, junto com Ruan de Souza, André Brasil e Phelipe Rodrigues para a disputa do 4x100m medley 34pts onde acabou ganhando sua 24º medalha, dessa vez de bronze. Ele foi o primeiro a pular nadando costas e como há dois dias atrás, ele chegou em útlimo na sua perna. Deu a vez para Ruan nadando peito que conseguiu diminuir um pouco a vantagem para os demais atletas. Mas foi com André nadando borboleta que o Brasil saiu de último direto para 5º posição e com Phelipe que veio a disputa que fez o time chegar em terceiro. Eles perderam para os chineses que tiveram recorde olímpico e para os ucranianos.

Quem também levou a medalha de bronze mais uma vez foi Maria Joana Silva. Ela disputou também os 100m livre S5 e chegou em terceiro, perdendo para chnesa Li Zhang e para espanhola Teresa Perales.

 

Daniel Dias leva mais um ouro

Daniel ganhou mais um ouro para sua coleção. Crédito: Ricardo Erlich/Esportes de A á Z

 

Daniel ganhou mais uma medalha de ouro, dessa vez foi nos 50m costas, esta foi sua 22º medalha nas histórias das paralimpiadas.

"Tomei a vantagem logo no inicio. Eu me concentrei antes de entrar na piscina, e aproveitei este momento quando um expectador gritou. Fiz minha parte e ganhei mais uma medalha. Agora vou descansar que ainda tenho mais uma prova." - Conta Daniel sobre mais uma vitória

Desde o inicio, Daniel mostrou por que ele iria ganhar mais um ouro. Ele largou forte e em poucos metros já estava a frente dos outros competidores e continuou só administrando o suficiente para abrir quase 2 segundos para Andrew e garantir mais um ouro ao país.

Daniel volta a piscina amanhã para competir 100m livre e no 4x100m livre, encerrando sua participação nas paralimpiadas.

 

Brasil fecha noite da natação com duas pratas

Por muito pouco, revezamento 4x100m não foi ouro. Crédito: Ricardo Erlich/Esportes de A à Z

 

A noite da natação do Brasil foi prateada no parque aquático. O revezamento 4x100m 34pts e Carlos Farremberg não conseguiram o lugar mais alto do pódio e terminaram com o segundo lugar. Destaque para o revezamento que depois de sair em último na primeira parte, chegou em segundo, quase ganhando a prova.

“Foi espetacular e curtimos demais essa medalha e ter nadado com esses caras. Batemos na trave em Pequim e em Londres e dessa vez fizemos o golaço. Mostramos que o grupo está unido e mostra como a natação está tendo uma boa renovação e sabíamos que ia ser decidido nos detalhes. ” – Conta Daniel Dias que fez parte do revezamento.

O primeiro a pular na piscina foi agora 21 vezes medalhista Daniel Dias, porém ele não foi bem. Seus oponentes abriram muita vantagem e quando ele completou os 100m o Brasil estava em último lugar com 10s de diferença para os ucranianos que dominaram a prova. Coube a André Brasil iniciar a recuperação e encostar nos adversários e quando ele completou sua parte, a equipe já estava em quinto.

Ruiter Siilva foi o terceiro a pular e a medalha começou a ficar mais próxima. Em seus 100m, ele saiu em quarto. Foi com Phelipe Rodrigues que veio a arrancada final. Já nos primeiros 50m ele já estava disputando a medalha de bronze e na continuação, se esticou para passar os chineses e chegou a encostar no ucraniano que liderava a competição e que acabou vencendo por centésimos de segundos e ainda quebrando o recorde paralimpico.

Quem também ganhou medalha de prata foi Carlos Farremberg nos 50m na categoria S13. Ele perdeu para o atleta de Belarus Ihar Boki que é o recordista mundial nesta prova. 

 

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