Campos e Quadras

Rafael Pereira bate o recorde sul-americano dos 110 m com barreiras

Crédito: Wagner Carmo/CBAt

Todas as excelentes expectativas em torno da disputa da final dos 110 m com barreiras foram confirmadas na manhã desta quinta-feira (23/6) na terceira etapa do XLI Troféu Brasil Loterias Caixa Interclubes de Atletismo, disputada no Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro. A prova foi fantástica, com resultados extraordinários.

O mineiro Rafael Henrique Pereira (Clã Delfos-MG) conquistou o bicampeonato da competição, com a marca de 13.17 (0.4), novo recorde brasileiro e sul-americano. O recordista anterior era de Gabriel Constantino, com 13.18 (0.8), tempo conquistado em Székesfehérvár, na Hungria, em 9 de junho de 2019. O tempo de Rafael é o sexto do mundo no Ranking 2022 da World Athletics.

Gabriel (ICB-RJ), aliás, foi o vice-campeão do torneio nesta quinta, com 13.23, e Eduardo de Deus (CT Maranhão-MA) ficou em terceiro lugar, com 13.27. Os três atletas bateram o recorde do campeonato de 13.34, que era de Matheus Inocêncio, desde 2005. Além disso, eles ratificaram o índice de 13.32 exigido pela World Athletics para o Campeonato Mundial do Oregon, nos Estados Unidos, que será disputado de 15 a 24 de julho. Esta é sem dúvida a melhor geração do Brasil na prova.

“Estou muito emocionado. Sou o mais jovem dos três. Eles são meus irmãos, meus amigos. O relacionamento com o Gabriel e o Eduardo é o melhor possível. Um torce pelo outro”, comentou o atleta de 26 anos. “O recorde não deixou de ser uma surpresa. Melhorei três vezes este ano meu recorde pessoal, a última na etapa de Paris da Liga Diamante, onde corri 13.25.”

Outro dado importante para valorizar o resultado de Rafael, treinado por Mauro França, em Belo Horizonte, é que nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, realizados na mesma pista, o espanhol de origem cubana Orlando Ortega conquistou a medalha de prata, com o tempo de 13.17, o mesmo do brasileiro neste Troféu Brasil, na mesma pista.

“Tenho metas curtas e a longo prazo. Meu sonho imediato é disputar a final do Mundial e tentar brigar por uma medalha. Depois claro é participar da Olimpíada de Paris, em 2024”, disse Rafael, que representou o Brasil nos Jogos de Tóquio-2011.

Formado em fisioterapia, com emprego na área e com mestrado em vias de começar, Rafael havia dado em tempo no atletismo em função da carreira profissional. Tudo mudou em 2020, quando assistiu o Jornal Nacional e ouviu que a Olimpíada tinha sido adiada para 2021. “Ninguém sabia se a pandemia da COVID-19 demoraria três semanas ou três anos. Arrisquei tudo e voltei para o atletismo. A palavra é mesmo arriscar”, comentou.

Rafael elogiou o Programa Horário do Troféu Brasil, com pouco espaço de tempo entre a semifinal e final. “É como se faz na Europa e aqui foi bom também por causa do calor. Aliás minha experiência na Europa, principalmente nas etapas de Oslo e de Paris da Liga Diamante, foi muito importante não só física como mentalmente”, concluiu o bicampeão.

Nos 100 m com barreiras, a catarinense Micaela Rosa de Mello (UCA-SC) conquistou a medalha de ouro, com 13.00 (0.0). Estudante de Criminologia na Universidade de Pullman, em Washington, Estados Unidos, ela lidera o Ranking Brasileiro da prova, com 12.98, marca obtida em maio em Arkansas. “Estou feliz em estudar nos Estados Unidos, sempre gostei de leis e vivo isso desde agosto de 2021, quando me mudei para lá”, disse a atleta nascida em São José (SC) e fala inglês fluentemente desde a adolescência.

Micaela, que fez campanha muito boa nas categorias de base, lamenta não ter conseguido o índice para o Mundial de Oregon (12.84), mas já retorna para os Estados Unidos no domingo (26/6), onde é treinada por Wayne Phipps. No Brasil, o seu treinador é Anderson Chaves.

Ketiley Batista (ASPMP-SP) ficou com a medalha de prata, com 13.51, seguida de Caroline de Melo Tomaz (UCA-SC), com 13.63.

Outra final da manhã desta quinta-feira foi a do lançamento do martelo feminino, realizada na pista externa do Estádio Nilton Santos. Mariana Grasielly Marcelino (IEMA-SP) conquistou pela oitava vez o título do Troféu Brasil, com 66,11 m. “Esperava um resultado melhor, mas continuo com atuações regulares. Quero muito obter marca melhor no Mundial”, comentou a campeã sul-americana, qualificada para Oregon.

Anna Paula Magalhães (Pinheiros-SP) conquistou a medalha de prata, com 59,69 m, e Mveh Viviane Jeane de Dieu Gracielle (Sogipa-SP) levou o bronze, com 57,12 m.

dungo

Jornalista, corredor e admirador da cidade maravilhosa

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